Decidi cortar os cachos. E agora?



Eu cheguei ao "sonho" dos cachos longos. E, depois de 4 anos... Decidi cortar. Mas, para te contar sobre essa história - e talvez inspirar você na sua própria trajetória -, vou contextualizar um pouco sobre o que veio antes. Quem sabe, temos jornadas parecidas na vivência do cabelo natural?


Meu primeiro grande corte de cabelo foi há seis anos, pelas mãos de Ed. Aos 23 anos, decidi abandonar os alisamentos e assumir minha textura natural: após um processo de 6 meses de transição, apostei num corte pixie, bem curtinho… E amei! Eu nunca havia visto meus fios naturais, e de repente, lá estavam eles, se desenvolvendo, ganhando forma.


A melhor parte disso? Não havia nenhuma dor no processo. Depois de enfrentar, dentro da minha cabeça, o medo de mudar totalmente de visual, as decisões que vieram depois foram simples de tomar.


Porém, ainda havia muitas coisas a descobrir no mundo do cabelo natural. Embora estivesse adorando meu cabelinho, queria muito ver como seriam meus cachos longos - algo que parecia impossível para mim no passado.


Reconheço que esse "sonho" do cabelo longo tem tudo a ver com a visão brasileira de feminilidade - e essa é uma visão contaminada por um olhar machista e racista. Principalmente para nós, mulheres negras, é uma "conquista" alcançar um cabelo comprido. Quantas vezes, na escola, não nos questionamos por não ter o cabelão da coleguinha de classe? E quantas de nós não recorrem aos fios alisados justamente para realizar o tal desejo do comprimento?


Bom, agora, com fios naturais, eu queria ver meus cabelos crescerem. Mas sem pressa. Durante dois anos, além de cuidar muito dos fios no Descabelado e em casa, me diverti com muitos cortes. O cabelo ia ganhando comprimento e textura, Ed dava novas formas a cada mudança… Era ótimo! Até que, por volta de 2016, apostei em um novo corte, na época bem diferente do que eu via ao meu redor. Era um visual 80's atualizado, com franjinha, na altura do ombro, super repicado.


Eu amei. Me encontrei nesse formato e, então, pensei: vou deixar ele crescer exatamente assim. Entre 2016 e 2018, deixei os fios se desenvolverem livremente dentro daquele corte. Funcionou… os fios ficaram enormes e, entre uma aventura e outra (rolou uma descoloração no meio do processo!), veio algo imprevisível. A pandemia.


Quando o isolamento começou, confesso que meu cabelo não era uma preocupação. Eu já era tão habituada ao ritual de arrumar os cachos todos os dias pra sair, que pensei: vou continuar fazendo o mesmo em casa. E, durante um tempo, foi o que eu fiz. Mas, em casa, vendo meu próprio rosto ao longo de meses, eu fui... Cansando do meu visual.


Não tinha ânimo para arrumar o cabelão todos os dias - afinal, comprimento + clareamento é uma dupla que dá trabalho - e os fios passavam boa parte do tempo presos em um coque.


Paralelamente, comecei a perceber que, mesmo ainda me achando bonita de cabelos longos, aquela imagem não fazia mais sentido para meu momento. Ela havia me feito feliz por anos, mas, agora, eu queria uma outra coisa. Estava vivendo tempos pandêmicos, cheia de vontade de redescobrir a mim mesma e, ao mesmo tempo, presa na ideia de beleza que eu mesma construí para mim.


Eu não sabia que, depois de realizar o sonho dos cachos longos, seria tão difícil desapegar deles.


Demorei meses até decidir, de verdade, cortar. Tinha medo de ser um siricutico de isolamento, algo que fosse passar… Mas, durante o tempo em que o Descabelado esteve fechado, tive tempo de pensar. Quando o salão reabriu, até tentei me animar com uma cor de cabelo nova (um rosa, super diferente), mas ainda não era isso. Eu queria mesmo era cortar. Depois que uma amiga apareceu com fios recém-tosados, meu coração bateu mais forte, tomei coragem… E agendei o corte!


Mas não pense que foi fácil. Durante o processo, rolou muito medo. Paralisei na cadeira, dei uma choradinha, me assustei com os bolos de cabelo caídos no chão… Foi um renascimento! Contei muito com a paciência e o carinho de Ed, Mírian e Sheila, que sempre estiveram ao meu lado em todas as novas fases. No fim das contas, lá estava eu: de cabelos novos, cortados, redescobrindo uma nova imagem. Fiquei feliz e orgulhosa por ter transformado a vontade em atitude.


Hoje, posso dizer com certeza: tomei a decisão certa. Esse segundo corte me ensinou ainda mais que o primeiro! Com ele, aprendi que o cabelo tem de servir a mim, e não ao contrário. Que a minha imagem precisa fazer sentido para o meu momento. Que cabelo tem de ser uma experiência, algo leve, divertido. Se virou preocupação, é melhor repensar. E que sim, eu posso brincar de ser o que quiser, porque no fim das contas, cabelo cresce… E, quando der na telha, a gente passa a tesoura novamente!


Inclusive, esse momento pode ser semanas depois…


Pois é. Quem disse que há limites para mudar?


Se você se identificou com essa história, meu conselho é: pense, sim. Não tome decisões apressadas. Mas permita-se questionar seus próprios medos. E, se possível, dê um passo além deles. Garanto que o resultado vale muito a pena!



Texto:

Vanessa Ventura





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